Dia Mundial dos Cuidados Paliativos: cuidar da dor é cuidar da pessoa

Assinala-se hoje, 10 de outubro, o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos. Em 2026, a campanha internacional é dedicada ao tema “Pain Management: An Essential Part of Palliative Care”, reforçando a importância de uma abordagem adequada, integrada e multidimensional da dor no acompanhamento das pessoas com doença grave.

A dor não é uma experiência exclusivamente física. Nos cuidados paliativos, a sua abordagem considera também dimensões psicológicas, sociais e espirituais do sofrimento e exige respostas interdisciplinares, ajustadas à situação e às prioridades de cada pessoa.

Mas os cuidados paliativos não se esgotam no controlo da dor nem no acompanhamento em fim de vida. O seu propósito é aliviar o sofrimento, preservar a dignidade e proporcionar a melhor qualidade de vida possível às pessoas e às suas famílias ao longo do percurso da doença.

Os fisioterapeutas dão um contributo específico neste percurso. A intervenção, adaptada à condição e às prioridades de cada pessoa, pode contribuir para preservar a mobilidade e a funcionalidade, aliviar sintomas, prevenir complicações, promover a autonomia possível e apoiar e capacitar os cuidadores.

A integração efetiva da Fisioterapia nas equipas de cuidados paliativos é, por isso, parte de uma resposta verdadeiramente multidisciplinar e centrada na pessoa. A Ordem dos Fisioterapeutas tem defendido que essa integração deve fazer-se com condições que permitam aos fisioterapeutas desempenhar plenamente o seu papel nas diferentes respostas de cuidados continuados e paliativos.

Esta reflexão foi também recentemente desenvolvida pelo Bastonário da Ordem dos Fisioterapeutas, António Lopes, no artigo «Cuidados paliativos: Os fisioterapeutas são parte da resposta», publicado na Mais Magazine. Ler o artigo completo.

Neste Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, importa recordar que, mesmo quando a cura já não é possível, continua a haver função a preservar, desconforto a aliviar, participação a promover e qualidade de vida a proteger.

 

 

Dia Mundial da Saúde Mental: ouvir a experiência de cada pessoa para construir melhores respostas

Assinala-se hoje, 10 de outubro, o Dia Mundial da Saúde Mental. Em 2026, a World Federation for Mental Health dedica a efeméride ao tema “Lived Experiences Heard: Real Voices, Real Change”, reforçando a importância de dar voz às pessoas com experiência vivida de problemas de saúde mental e de considerar as suas perspetivas na construção de respostas, serviços e políticas.

A saúde mental não pode ser dissociada da saúde física, da funcionalidade, da participação social e das condições em que cada pessoa vive. A atividade física regular traz benefícios significativos para a saúde física e mental e pode contribuir para reduzir sintomas de ansiedade e depressão e melhorar o bem-estar.

É também neste enquadramento que se insere a Fisioterapia em Saúde Mental. Reconhecida internacionalmente como uma área específica de intervenção, procura promover o bem-estar e capacitar a pessoa através do movimento funcional, da consciência do movimento, da atividade física e do exercício, articulando as dimensões física e mental da saúde. Os fisioterapeutas intervêm em diferentes contextos e ao longo das várias etapas da vida, integrados em respostas multidisciplinares e centradas na pessoa.

Dar espaço à experiência de cada pessoa significa também reconhecer que os objetivos e as necessidades não são iguais para todos. Uma intervenção verdadeiramente centrada na pessoa exige escuta, participação e definição partilhada de prioridades.

Neste Dia Mundial da Saúde Mental, a Ordem dos Fisioterapeutas associa-se ao apelo para que as pessoas sejam ouvidas e participem ativamente nas decisões que dizem respeito à sua saúde e ao seu percurso de cuidados.

Pedro Maciel Barbosa

Fisioterapeuta-especialista na Unidade Local de Saúde de Matosinhos Sub-coordenador para os Cuidados de Saúde Primário, Unidade Local de Saúde de Matosinhos Professor Adjunto-Convidado na Escola Superior de Saúde do Porto Membro do Conselho de Administração da Fundação para a Saúde – SNS Membro do Conselho Geral da Ordem dos Fisioterapeutas

Carlos Areia

Carlos Areia é fisioterapeuta desde 2013, e trabalhou em vários hospitais, clínicas e clubes tanto em Portugal como no Reino Unido. Iniciou a sua carreira académica na Universidade de Oxford em 2016, onde liderou um ensaio clínico a comparar Fisioterapia VS cirurgia em lesões do cruzado anterior em 32 hospitais de Inglaterra. Em 2018 mudou-se para o departamento de neurociências, onde desenvolveu os seus próprios estudos em monitorização remota de sinais vitais, que foram implementados durante a pandemia. Aqui descobriu a sua paixão pelos dados, e em 2022, juntou-se à Digital Science como Data Scientist. Concluiu o seu PhD no início deste ano, e junta mais de 60 publicações em revistas como a The Lancet, BMJ, Cochrane, entre outras. É também palestrante honorário na Oxford Brookes University e consultor em investigação clínica.

Eduardo José Brazete Carvalho Cruz

Doutorado em Fisioterapia, pela Universidade de Brighton, UK. Pós-Doutoramento na especialidade de Epidemiologia pela Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa.
Coordenador do Gabinete de Estudos e Planeamento da Ordem dos Fisioterapeutas. Professor Coordenador do Departamento de Fisioterapia da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal (ESS-IPS). Presidente do Conselho Técnico-Científico da ESS-IPS. Coordenador do Departamento de Fisioterapia da ESS-IPS. Investigador Integrado do Comprehensive Health Research Centre (CHRC) (parceria FCM-UNL, Escola Nacional de Saúde Publica, Universidade de Évora, Lisbon Institute of Global Mental Health e Hospital do Santo Espírito, Ilha Terceira, Açores).

Sara Souto Miranda

Sara Souto Miranda é licenciada e mestre em fisioterapia pela Universidade de Aveiro, e detentora de pós-graduação em fisioterapia respiratória do adulto certificada pela mesma instituição. Completou em 2023 o seu doutoramento duplo em Ciências da Reabilitação/Saúde, Medicina e Ciências da Vida pelas Universidades de Aveiro e Maastricht (Países Baixos) e encontra-se atualmente a exercer funções como assessora técnico-científica do Gabinete de Estudos e Planeamento (GEP) da Ordem dos Fisioterapeutas, e como professora convidada do Instituto Piaget de Vila Nova de Gaia. Enquanto membro do Laboratório de Investigação e Reabilitação Respiratória da Universidade de Aveiro (Lab3R), exerceu atividade de investigação aplicada onde avaliou e tratou doentes com patologia respiratória, tendo participado em 6 projetos de investigação. Ao longo do seu percurso publicou 19 artigos científicos em revistas internacionais revistas pelos pares com fator de impacto, 1 capítulo de livro, e mais de 50 resumos em atas de conferências. Foi voluntária de investigação no centro de reabilitação Ciro (Center for expertise in chronic organ failure) nos Países Baixos, e é atualmente membro da Guideline Methodology Network da European Respiratory Society. Foi distinguida pela European Lung Foundation e European Respiratory Society por desenvolver investigação centrada no doente, pela Direção Geral de Ensino Superior com uma bolsa de mérito relativa ao seu mestrado, e pelo centro Ciro com uma bolsa destinada ao apoio à investigação no estrangeiro.

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