Dia Nacional do Doente com AVC: Fisioterapia é essencial na prevenção, recuperação funcional e participação na vida diária

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) continua a representar um importante desafio de saúde pública, pelo seu impacto na mortalidade, na incapacidade e na qualidade de vida das pessoas e das famílias. Assinalar o Dia Nacional do Doente com AVC é, por isso, uma oportunidade para reforçar a importância da prevenção, do reconhecimento atempado dos sinais de alerta e do acesso a cuidados de saúde adequados ao longo de todo o percurso assistencial.
 
A Fisioterapia tem um papel relevante neste contexto, desde logo na promoção da saúde e na prevenção. Através da promoção da atividade física, da educação para a saúde e da intervenção sobre fatores de risco modificáveis, os Fisioterapeutas contribuem para reduzir o risco de doença cérebro-cardiovascular e para melhorar a literacia em saúde da população.
Após um AVC, a intervenção da Fisioterapia é determinante para a recuperação da mobilidade, da funcionalidade e da autonomia, para a redução de complicações e para a melhoria da qualidade de vida. Para que essa intervenção produza os melhores resultados, deve ser iniciada atempadamente, ser adequada às necessidades de cada pessoa e integrar-se numa resposta articulada entre níveis de cuidados de saúde.
 
A intervenção em Fisioterapia não se limita à recuperação de funções corporais isoladas. O seu objetivo é apoiar a pessoa a voltar a mover-se com segurança, a realizar atividades do quotidiano, a recuperar independência e a retomar a participação familiar, social e profissional, sempre que possível. Falar de AVC é, por isso, falar também de vida após o evento e da necessidade de garantir acesso equitativo a cuidados de saúde.
 
Neste dia, criado por proposta da Sociedade Portuguesa do AVC (SPAVC), a Ordem dos Fisioterapeutas reafirma a importância de políticas de saúde que coloquem a prevenção, a recuperação funcional e a participação no centro das respostas em saúde. Reforçar o acesso à Fisioterapia ao longo das várias fases da doença é investir em melhores resultados em saúde, em menor incapacidade e em melhor qualidade de vida para as pessoas afetadas por AVC.

Pedro Maciel Barbosa

Fisioterapeuta-especialista na Unidade Local de Saúde de Matosinhos Sub-coordenador para os Cuidados de Saúde Primário, Unidade Local de Saúde de Matosinhos Professor Adjunto-Convidado na Escola Superior de Saúde do Porto Membro do Conselho de Administração da Fundação para a Saúde – SNS Membro do Conselho Geral da Ordem dos Fisioterapeutas

Carlos Areia

Carlos Areia é fisioterapeuta desde 2013, e trabalhou em vários hospitais, clínicas e clubes tanto em Portugal como no Reino Unido. Iniciou a sua carreira académica na Universidade de Oxford em 2016, onde liderou um ensaio clínico a comparar Fisioterapia VS cirurgia em lesões do cruzado anterior em 32 hospitais de Inglaterra. Em 2018 mudou-se para o departamento de neurociências, onde desenvolveu os seus próprios estudos em monitorização remota de sinais vitais, que foram implementados durante a pandemia. Aqui descobriu a sua paixão pelos dados, e em 2022, juntou-se à Digital Science como Data Scientist. Concluiu o seu PhD no início deste ano, e junta mais de 60 publicações em revistas como a The Lancet, BMJ, Cochrane, entre outras. É também palestrante honorário na Oxford Brookes University e consultor em investigação clínica.

Eduardo José Brazete Carvalho Cruz

Doutorado em Fisioterapia, pela Universidade de Brighton, UK. Pós-Doutoramento na especialidade de Epidemiologia pela Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa.
Coordenador do Gabinete de Estudos e Planeamento da Ordem dos Fisioterapeutas. Professor Coordenador do Departamento de Fisioterapia da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal (ESS-IPS). Presidente do Conselho Técnico-Científico da ESS-IPS. Coordenador do Departamento de Fisioterapia da ESS-IPS. Investigador Integrado do Comprehensive Health Research Centre (CHRC) (parceria FCM-UNL, Escola Nacional de Saúde Publica, Universidade de Évora, Lisbon Institute of Global Mental Health e Hospital do Santo Espírito, Ilha Terceira, Açores).

Sara Souto Miranda

Sara Souto Miranda é licenciada e mestre em fisioterapia pela Universidade de Aveiro, e detentora de pós-graduação em fisioterapia respiratória do adulto certificada pela mesma instituição. Completou em 2023 o seu doutoramento duplo em Ciências da Reabilitação/Saúde, Medicina e Ciências da Vida pelas Universidades de Aveiro e Maastricht (Países Baixos) e encontra-se atualmente a exercer funções como assessora técnico-científica do Gabinete de Estudos e Planeamento (GEP) da Ordem dos Fisioterapeutas, e como professora convidada do Instituto Piaget de Vila Nova de Gaia. Enquanto membro do Laboratório de Investigação e Reabilitação Respiratória da Universidade de Aveiro (Lab3R), exerceu atividade de investigação aplicada onde avaliou e tratou doentes com patologia respiratória, tendo participado em 6 projetos de investigação. Ao longo do seu percurso publicou 19 artigos científicos em revistas internacionais revistas pelos pares com fator de impacto, 1 capítulo de livro, e mais de 50 resumos em atas de conferências. Foi voluntária de investigação no centro de reabilitação Ciro (Center for expertise in chronic organ failure) nos Países Baixos, e é atualmente membro da Guideline Methodology Network da European Respiratory Society. Foi distinguida pela European Lung Foundation e European Respiratory Society por desenvolver investigação centrada no doente, pela Direção Geral de Ensino Superior com uma bolsa de mérito relativa ao seu mestrado, e pelo centro Ciro com uma bolsa destinada ao apoio à investigação no estrangeiro.

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