A Fisioterapia nas Doenças Raras: funcionalidade, autonomia e continuidade de cuidados

No dia 28 de fevereiro assinala-se o Dia Mundial das Doenças Raras, uma data que visa sensibilizar a sociedade para os desafios enfrentados por quem vive com estas patologias e reforçar a necessidade de um diagnóstico atempado, acompanhamento especializado e acesso equitativo aos cuidados de saúde.

Considera-se rara a doença que afeta menos de 1 em cada 2.000 pessoas. Apesar da baixa prevalência individual, estima-se que existam entre 5.000 e 8.000 doenças raras distintas, que no seu conjunto afetam milhões de pessoas na Europa e cerca de 700 mil em Portugal. Muitas destas doenças são de origem genética, complexas e degenerativas, frequentemente associadas a limitações funcionais, impacto emocional e desafios sociopsicológicos quer para as pessoas, quer para as suas famílias.

Para apoiar estes doentes, foi criado o Cartão da Pessoa com Doença Rara, disponível no Portal SNS 24 e na App SNS 24, que permite acesso rápido a informação clínica essencial aos profissionais de saúde, em situações de urgência ou transição de cuidados, promovendo maior segurança e continuidade assistencial

Num contexto de elevada complexidade clínica, a Fisioterapia assume um papel determinante. Inserida em equipas interdisciplinares, a intervenção fisioterapêutica centra-se na preservação da funcionalidade, na promoção da autonomia e maximização da participação ativa na vida diária.

A intervenção é sempre individualizada e adaptada à pessoa e à evolução da condição clínica, podendo incluir diferentes abordagens de acordo com as necessidades.

A capacitação de cuidadores e familiares e a educação terapêutica são igualmente fundamentais, promovendo literacia em saúde e maior segurança e participação no percurso de cuidados.

As doenças raras continuam a colocar desafios significativos aos sistemas de saúde e à sociedade, nomeadamente atrasos no diagnóstico, lacunas na cobertura de cuidados e desigualdades no acesso a respostas especializadas. Neste contexto, torna-se essencial reforçar modelos de cuidados integrados, articulados e centrados na pessoa.

Neste Dia Mundial das Doenças Raras, a Ordem dos Fisioterapeutas reafirma o compromisso com uma intervenção baseada na evidência científica, contínua ao longo do ciclo de vida e orientada para melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem com estas condições.

Facebook
LinkedIn
Email

Pedro Maciel Barbosa

Fisioterapeuta-especialista na Unidade Local de Saúde de Matosinhos Sub-coordenador para os Cuidados de Saúde Primário, Unidade Local de Saúde de Matosinhos Professor Adjunto-Convidado na Escola Superior de Saúde do Porto Membro do Conselho de Administração da Fundação para a Saúde – SNS Membro do Conselho Geral da Ordem dos Fisioterapeutas

Carlos Areia

Carlos Areia é fisioterapeuta desde 2013, e trabalhou em vários hospitais, clínicas e clubes tanto em Portugal como no Reino Unido. Iniciou a sua carreira académica na Universidade de Oxford em 2016, onde liderou um ensaio clínico a comparar Fisioterapia VS cirurgia em lesões do cruzado anterior em 32 hospitais de Inglaterra. Em 2018 mudou-se para o departamento de neurociências, onde desenvolveu os seus próprios estudos em monitorização remota de sinais vitais, que foram implementados durante a pandemia. Aqui descobriu a sua paixão pelos dados, e em 2022, juntou-se à Digital Science como Data Scientist. Concluiu o seu PhD no início deste ano, e junta mais de 60 publicações em revistas como a The Lancet, BMJ, Cochrane, entre outras. É também palestrante honorário na Oxford Brookes University e consultor em investigação clínica.

Eduardo José Brazete Carvalho Cruz

Doutorado em Fisioterapia, pela Universidade de Brighton, UK. Pós-Doutoramento na especialidade de Epidemiologia pela Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa.
Coordenador do Gabinete de Estudos e Planeamento da Ordem dos Fisioterapeutas. Professor Coordenador do Departamento de Fisioterapia da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal (ESS-IPS). Presidente do Conselho Técnico-Científico da ESS-IPS. Coordenador do Departamento de Fisioterapia da ESS-IPS. Investigador Integrado do Comprehensive Health Research Centre (CHRC) (parceria FCM-UNL, Escola Nacional de Saúde Publica, Universidade de Évora, Lisbon Institute of Global Mental Health e Hospital do Santo Espírito, Ilha Terceira, Açores).

Sara Souto Miranda

Sara Souto Miranda é licenciada e mestre em fisioterapia pela Universidade de Aveiro, e detentora de pós-graduação em fisioterapia respiratória do adulto certificada pela mesma instituição. Completou em 2023 o seu doutoramento duplo em Ciências da Reabilitação/Saúde, Medicina e Ciências da Vida pelas Universidades de Aveiro e Maastricht (Países Baixos) e encontra-se atualmente a exercer funções como assessora técnico-científica do Gabinete de Estudos e Planeamento (GEP) da Ordem dos Fisioterapeutas, e como professora convidada do Instituto Piaget de Vila Nova de Gaia. Enquanto membro do Laboratório de Investigação e Reabilitação Respiratória da Universidade de Aveiro (Lab3R), exerceu atividade de investigação aplicada onde avaliou e tratou doentes com patologia respiratória, tendo participado em 6 projetos de investigação. Ao longo do seu percurso publicou 19 artigos científicos em revistas internacionais revistas pelos pares com fator de impacto, 1 capítulo de livro, e mais de 50 resumos em atas de conferências. Foi voluntária de investigação no centro de reabilitação Ciro (Center for expertise in chronic organ failure) nos Países Baixos, e é atualmente membro da Guideline Methodology Network da European Respiratory Society. Foi distinguida pela European Lung Foundation e European Respiratory Society por desenvolver investigação centrada no doente, pela Direção Geral de Ensino Superior com uma bolsa de mérito relativa ao seu mestrado, e pelo centro Ciro com uma bolsa destinada ao apoio à investigação no estrangeiro.

Este site utiliza cookies para permitir uma melhor experiência por parte do utilizador.
Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização.