Assinala-se a 20 de outubro o Dia Nacional da Paralisia Cerebral, instituído em 2014 pela Resolução n.º 27/2014 da Assembleia da República, com o objetivo de aumentar a consciencialização sobre esta condição e promover a inclusão, a participação e a igualdade de oportunidades das pessoas com paralisia cerebral.
A paralisia cerebral corresponde a um grupo de condições do neurodesenvolvimento de início precoce, caracterizadas por alterações permanentes, mas não estáticas, do movimento e da postura, que podem limitar a atividade e coexistir com alterações sensoriais, cognitivas ou da comunicação. Os dados mais recentes do Programa de Vigilância Nacional da Paralisia Cerebral indicam que, entre as crianças nascidas em Portugal entre 2001 e 2015, o risco de paralisia cerebral aos 5 anos se manteve estável, em cerca de 1,7 por 1000 crianças.
Ao longo das últimas décadas, a intervenção da Fisioterapia na paralisia cerebral tem acompanhado uma importante mudança de paradigma. O objetivo não é procurar “normalizar” o movimento, mas potenciar a capacidade de cada criança para se movimentar e ter uma participação ativa nas diferentes atividades nos diversos contextos da sua vida.
A intervenção é dinâmica, centrada nas prioridades e necessidades das famílias, sendo os objetivos definidos em parceria, para os diferentes contextos naturais da criança de acordo com os seus interesses e rotinas.
O fisioterapeuta pode adaptar atividades, ambientes e níveis de desafio, criando oportunidades para que a criança explore, pratique e desenvolva estratégias que promovam maior autonomia e participação em casa, na escola e na comunidade.
A Fisioterapia tem igualmente um papel relevante na promoção da saúde e da atividade física, contribuindo para prevenir os efeitos da inatividade e para melhorar a força, a resistência, a mobilidade, a capacidade física e o envolvimento da criança nas atividades significativas do quotidiano.
Neste Dia Nacional da Paralisia Cerebral, a Ordem dos Fisioterapeutas reforça a importância de uma intervenção centrada na pessoa, nas suas capacidades e nos seus objetivos.
Porque, na paralisia cerebral, promover movimento significa também criar oportunidades para brincar, aprender, explorar, relacionar-se e participar, contribuindo para uma vida com maior autonomia e qualidade de vida.