Dia Mundial da Diabetes 2025: conhecer mais e agir mais pela diabetes no trabalho

O Dia Mundial da Diabetes assinala-se a 14 de novembro, uma data instituída em 1991 pela Federação Internacional da Diabetes (IDF) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em memória de Frederick Banting, um dos responsáveis pela descoberta da insulina. Este dia tem como objetivo sensibilizar para o impacto crescente da diabetes, reforçar a importância da prevenção e promover ambientes de vida e de trabalho mais saudáveis.

Sob o lema “Diabetes e bem-estar no trabalho”, a campanha de 2025 apela a empregadores e trabalhadores de todo o mundo para “saberem mais e fazerem mais pela diabetes no trabalho”, promovendo espaços laborais inclusivos, informados e solidários. Milhões de pessoas enfrentam diariamente desafios na gestão da diabetes no contexto profissional, desde o estigma e a discriminação à dificuldade em equilibrar os cuidados de saúde com as exigências laborais, o que tem um impacto direto no bem-estar físico e psicológico.

De acordo com a IDF, 7 em cada 10 pessoas com diabetes estão em idade ativa; 3 em cada 4 vivem com ansiedade, depressão ou outra perturbação de saúde mental associada à doença; 4 em cada 5 relatam exaustão ou burnout relacionados com a gestão diária da diabetes.

Em 2025, estima-se que 589 milhões de pessoas em todo o mundo vivam com diabetes e este número poderá atingir 853 milhões até 2050. Em Portugal, afeta cerca de 1,4 milhões de pessoas, o que representa 14,2% da população entre os 20 e os 79 anos, de acordo com o Relatório Anual do Observatório Nacional da Diabetes.

A Ordem dos Fisioterapeutas sublinha que o combate à diabetes deve assentar numa abordagem multidimensional, que combine prevenção, educação, capacitação e reabilitação funcional, garantindo uma resposta integrada e sustentável.

A Fisioterapia tem um papel determinante em todas as fases da doença:

  • contribui para a prevenção primária, promovendo a atividade física, a educação para a saúde e a redução do sedentarismo;
  • apoia a capacitação das pessoas em risco e das que vivem com diabetes, reforçando o conhecimento sobre a doença e as estratégias para a sua gestão diária;
  • intervém de forma direcionada para prevenir complicações como alterações circulatórias, úlceras nos pés, doenças renais crónicas ou limitações musculoesqueléticas;
  • e atua na promoção da mobilidade, da funcionalidade e da autonomia, prevenindo situações mais graves, como as amputações.

Para a generalidade da população e para as pessoas em risco de desenvolver diabetes, o foco da intervenção fisioterapêutica é a consciencialização e educação sobre os fatores de risco e os instrumentos essenciais à sua prevenção. Já nas pessoas com diabetes diagnosticada, a capacitação e o acompanhamento contínuo são essenciais para melhorar a autogestão da condição e reduzir o risco de complicações graves.

Ao trabalhar em articulação com outros profissionais de saúde, o fisioterapeuta contribui de forma decisiva para melhorar a qualidade de vida, prevenir incapacidades e apoiar a integração plena na vida ativa.

Neste Dia Mundial da Diabetes, a Ordem dos Fisioterapeutas junta-se ao apelo global para “conhecer mais e agir mais pela diabetes no trabalho”, reafirmando o compromisso com a promoção da saúde, o bem-estar e a inclusão das pessoas com diabetes, em todos os contextos da sua vida pessoal e profissional.

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Pedro Maciel Barbosa

Fisioterapeuta-especialista na Unidade Local de Saúde de Matosinhos Sub-coordenador para os Cuidados de Saúde Primário, Unidade Local de Saúde de Matosinhos Professor Adjunto-Convidado na Escola Superior de Saúde do Porto Membro do Conselho de Administração da Fundação para a Saúde – SNS Membro do Conselho Geral da Ordem dos Fisioterapeutas

Carlos Areia

Carlos Areia é fisioterapeuta desde 2013, e trabalhou em vários hospitais, clínicas e clubes tanto em Portugal como no Reino Unido. Iniciou a sua carreira académica na Universidade de Oxford em 2016, onde liderou um ensaio clínico a comparar Fisioterapia VS cirurgia em lesões do cruzado anterior em 32 hospitais de Inglaterra. Em 2018 mudou-se para o departamento de neurociências, onde desenvolveu os seus próprios estudos em monitorização remota de sinais vitais, que foram implementados durante a pandemia. Aqui descobriu a sua paixão pelos dados, e em 2022, juntou-se à Digital Science como Data Scientist. Concluiu o seu PhD no início deste ano, e junta mais de 60 publicações em revistas como a The Lancet, BMJ, Cochrane, entre outras. É também palestrante honorário na Oxford Brookes University e consultor em investigação clínica.

Eduardo José Brazete Carvalho Cruz

Doutorado em Fisioterapia, pela Universidade de Brighton, UK. Pós-Doutoramento na especialidade de Epidemiologia pela Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa.
Coordenador do Gabinete de Estudos e Planeamento da Ordem dos Fisioterapeutas. Professor Coordenador do Departamento de Fisioterapia da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal (ESS-IPS). Presidente do Conselho Técnico-Científico da ESS-IPS. Coordenador do Departamento de Fisioterapia da ESS-IPS. Investigador Integrado do Comprehensive Health Research Centre (CHRC) (parceria FCM-UNL, Escola Nacional de Saúde Publica, Universidade de Évora, Lisbon Institute of Global Mental Health e Hospital do Santo Espírito, Ilha Terceira, Açores).

Sara Souto Miranda

Sara Souto Miranda é licenciada e mestre em fisioterapia pela Universidade de Aveiro, e detentora de pós-graduação em fisioterapia respiratória do adulto certificada pela mesma instituição. Completou em 2023 o seu doutoramento duplo em Ciências da Reabilitação/Saúde, Medicina e Ciências da Vida pelas Universidades de Aveiro e Maastricht (Países Baixos) e encontra-se atualmente a exercer funções como assessora técnico-científica do Gabinete de Estudos e Planeamento (GEP) da Ordem dos Fisioterapeutas, e como professora convidada do Instituto Piaget de Vila Nova de Gaia. Enquanto membro do Laboratório de Investigação e Reabilitação Respiratória da Universidade de Aveiro (Lab3R), exerceu atividade de investigação aplicada onde avaliou e tratou doentes com patologia respiratória, tendo participado em 6 projetos de investigação. Ao longo do seu percurso publicou 19 artigos científicos em revistas internacionais revistas pelos pares com fator de impacto, 1 capítulo de livro, e mais de 50 resumos em atas de conferências. Foi voluntária de investigação no centro de reabilitação Ciro (Center for expertise in chronic organ failure) nos Países Baixos, e é atualmente membro da Guideline Methodology Network da European Respiratory Society. Foi distinguida pela European Lung Foundation e European Respiratory Society por desenvolver investigação centrada no doente, pela Direção Geral de Ensino Superior com uma bolsa de mérito relativa ao seu mestrado, e pelo centro Ciro com uma bolsa destinada ao apoio à investigação no estrangeiro.

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